Prezados Enxadristas, 

Vários acontecimentos marcaram extraordinariamente a vinda, à Bahia, do 
ex-campeão mundial de xadrez e super GMI, Anatoly Karpov, neste final de 
semana ultimo, em comemoração ao dia dos pais, em Costa do Sauípe. 

Logo na sexta-feira dia 08 de agosto de 2003 por volta das 21h, senti forte 
emoção ao adentrar o auditório do hotel onde foi realizada palestra de 
Karpov e estar tão próximo daquele que para nós representa um mito vivo do 
nosso  nobre  esporte. 

Como foi lembrado pelo Profº Henrique, num momento da palestra em que foi 
aberto espaço para colocações e perguntas ao GM, o famoso match disputado 
entre Karpov x Kasparov em Servilha que durou mais de sessenta dias, tendo 
que ser adiado após empate ao término da 24ª partida, aquele momento para 
mim trouxe lembranças de um tempo que quando criança, ao olhar as fotos 
daquele  livro fininho, que traz o Grande Duelo,  eu imaginava mais ou menos 
daquele jeito :  um seleto auditório e lá estavam os maiores fenômenos de 
xadrez daquele tempo, agora representados pelas figuras não do Karpov x 
Kasparov e sim Karpov x Vescovi, que harmoniosamente, no decorrer da 
palestra, traziam lembranças imortais da história do xadrez mundial contada 
agora ao vivo e a cores por um dos seus maiores protagonistas. 

Era notória a emoção dos enxadristas, que como eu, em muito se deleitaram ao 
passar as memoráveis partidas recheadas pelas fantásticas histórias que 
envolvem os campeonatos mundiais, e naquela oportunidade ímpar podíamos 
perguntar ao Karpov, o que ele próprio achava, sentia ou até o que ele 
desejaria que fosse diferente em alguns aspectos que marcaram a sua 
trajetória na história do xadrez mundial. Foi o que o Profº Henrique Delgado 
fez. Perguntou o que ele, Karpov, teria sentido ao se ver em desvantagem na 
23ª partida daquele match contra Kasparov, logrando vitória naquela mesma 
partida e ainda assim, perder o match?  Karpov confessou que sofrera um 
grande desgaste físico e emocional naquela penúltima partida (23ª), fato que 
influenciou decisivamente no seu desempenho na 24ª partida, acarretando a 
vitória do Kasparov naquela partida e consequente perda do match, que foi 
suspenso provisoriamente e decidido em partidas subsequentes. Dava para ver 
de perto a expressão e emoção do Karpov, mesmo após tantos anos, diante 
daquele relato e sentir a importância daquele momento histórico. 

Com a palavra o MF brasileiro Andriano Caldeiras, contou que havia apostado 
na vitória de Karpov e portanto perdido cinco pizzas com a sua derrota 
(arrancou risos da platéia...). 

Karpov, fez uma descontraída palestra que durou quase duas horas, falando 
entre outras coisas da disseminação e influência do xadrez nas diversas 
áreas da atividade humana, como educação, cultura, arte, laser e esporte, 
colocando ainda a sua importância da formação de crianças que desde cedo 
estão em contato com esta ciência. Falou da tendência natural da tecnologia 
eletrônica dominar esta área do conhecimento humano. E falou da sua 
colaboração internacional, através do seu trabalho como embaixador da 
UNICEF, e sua influência em ONG's internacionais que levam os benefícios 
propiciados pelo xadrez aos quatro cantos do mundo. 

Falando sobre sua performance no xadrez ao longo de quase toda a sua vida, 
lembrou dos tantos anos como campeão mundial, dos mais de duzentos torneios 
que venceu e dos tantos 160 títulos que conquistou. 

Confirmou, como nós já esperávamos, que seu maior oponente foi Kasparov, com 
o qual jogou mais de duzentas partidas. 

Karpov, falou a respeito do xadrez no Brasil, tecendo elogios ao  
crescimento não só em quantidade como em qualidade. E que considerava de 
estrema importância a criação e manutenção de escolas de xadrez, específica 
para o aprimoramento e desenvolvimento dos talentos que vão surgindo. “É um 
momento de alavancagem, com o xadrez cada vez mais presente nas escolas 
brasileiras e agora contanto com a disposição do governo neste sentido.” 

No dia seguinte, por volta das 10h, Paulo Jatobá comandou uma excelente 
aula, dada com o auxílio do Chess Base, projetado num telão, inicialmente, 
com resolução de probleminhas de mate, através de apostilas que foram 
distribuídas entre os participantes, culminando na análise de uma partida de 
Karpov. 

No mesmo dia, na parte da tarde, foi realizado um torneio seletivo, suíço em 
7 rodadas,  para serem escolhidos os participantes da simultânea dada por 
Karpov, tendo 32 inscritos. Qual foi minha surpresa, disputei o torneio e 
não me classifiquei !  Talvez uma das maiores frustrações já vividas por mim 
em matéria de xadrez. Depois de tanta luta. Fui um dos que contribuíram, com 
empenho, para o sucesso deste evento, lutando em prol da participação 
democrática dos enxadristas baianos, e ainda me classificado entre apenas os 
cinco que teriam direito de disputarem a seletiva em Sauípe, (deixado para 
trás jogadores como Diogo, Edmundo, Marcos Vinícios, Noguti e Tek, num total 
de quase quarenta). Na condição de coordenador da FBX, só conquistaria uma 
vaga para jogar com Karpov, por este mérito. No que para mim foi uma grande 
decepção comigo mesmo. Uma derrota atrás da outra. Logo na Primeira rodada 
empatei, inferior com Antônio Pedreira, e fui perdendo as seguintes para 
Silvio Brito, Carporale (SP) e finalmente Jaime Castilho, que me arrancou a 
classificação. Finalizei a seletiva com um inesperado resultado em torneios 
de toda minha vida, três pontos e meio em sete possíveis...   Mais uma prova 
da garra com que os participantes jogaram suas partidas, para realizarem o 
sonho de poderem jogar contra o ilustre Karpov, pois foi um torneio super 
disputado. Infelizmente desta vez não deu para mim. Mas, o evento para mim 
continuou sendo maravilhoso, pois dele vivenciei, aprendi e extraí grandes 
lições. Além de é claro, poder estar ao lado da minha família, que havia se 
hospedado em Sauipe. Talvez eu fosse um dos poucos que disputaram a seletiva 
com um certo ar de já está classificado, pois o que seriam apenas quatro 
pontos em sete para uma classificação garantida. Bem que Gilvan me disse...  
 Tudo bem, chega de lamúrias e vamos ao que interessa. 

Brilhante Mundinho (apelido dado a Edmundo Azevedo por Jatóba), massacrou o 
MF Adriano Caldeiras!    Hahá, pensou que ganharia fácil, heim ?! 

Se bem que você Jorge, não precisava tomar aquele mate do Caldeira, daquele 
jeito. Você não é jogador de pingue? Estava pau a pau no tempo, se fosse 
comigo não faria aquela bobagem...  Mais segurança rapaz! 

Jatóba parabéns, pela sua nobreza de espírito! Ao surgir o empasse de quem 
da organização (todos classificados pelo torneio realizado em Salvador) 
seria o cristo e abdicaria de jogar a seletiva para poder arbitrar o 
torneio, em momento algum você vez objeção. Pelo contrário, foi dormir quase 
três da manhã preparando a aula (excelente aula!) e ainda sim se colocou a 
disposição para ser o árbitro. Mas, Deus realmente sabe o que faz, na última 
hora você foi agraciado com o green card, cedido por um dos patrocinadores 
do evento e pôde jogar e fazer bem feito tudo aquilo que se dispões em prol 
do xadrez !  Atitude de campeão !  Não podia ser diferente, nosso campeão 
Jatobá, teve também competência em empatar com o ex-campeão mundial de 
xadrez, Anatoly Karpov!  Valeu Jatóba! 

Não posso deixar de falar de outro ato nobre praticado por mais um 
enxadrista que abdicou de sua vaga, conquistada, também com luta, em 
detrimento de outros que não conseguiram jogar com Karpov. Gilvan Quadros 
como um dos parceiros do evento ganhou dois green card's (acesso direto para 
jogar), sendo apenas um dos filhos classificados na seletiva, André, cedeu 
os gren card's ao outro filho, Nilo, e a Paulo Jatobá (com todo mérito). Ao 
perceber que o aficionado enxadrista, jornalista, e grande incentivador do 
xadrez baiano, Paixão Barbosa, não conseguiu se classificar no torneio, após 
ter demonstrado muito empenho para tanto, Gilvan tomou a palavra após a 
divulgação dos classificados na seletiva e anunciou, emocionado, que estaria 
abrindo mão de sua vaga conquistada na seletiva e transferindo para o mesmo 
o direito de jogar em seu lugar. Eu tenho certeza que foi uma decisão muito 
difícil, pois qualquer um de nós raramente deixaria escapar uma oportunidade 
como esta. Seria, por exemplo, como se um apaixonado pela música ou um 
simples músico pudesse participar ou tocar em uma orquestra onde tivesse 
presente Beetoven. Ou um admirador ou artista plástico pudesse ter uma aula 
ou aprender a pintar com Leonardo Da Vinci. 

Ainda não podemos esquecer de Júlio César Ramos, que esteve sempre presente 
e a disposição da FBX, para que pudéssemos contar com a sua experiência como 
ex-presidente da FBX. Abrindo mão de sua ida a Sauípe dando oportunidade aos 
membros atuais da federação de adquirirem esta experiência. 

Não posso deixar de falar da partida de Vitor Maurício que na minha modesta 
visão foi a mais sólida da  simultânea, jogada muita bem pelo mesmo, 
demonstrando que este menino é realmente uma promessa do nosso xadrez !  
Faltou experiência, foi uma partida que poderia ser empatada... 

Quero parabenizar a equipe da FBX (Egas, Roberto, Jorge, Jatobá e Igor), que 
representaram bem os interesses dos enxadristas baianos nas conquistas junto 
aos organizadores do evento. E as gerentes do Sauípe Cecília e Liliana que 
atenderam, na medida do possível, as expectativas da FBX.  Ao Técio Leur por 
ter dado uma importante força à FBX, na organização do evento. 
Comentários, 

Igor Baptista.